Primeiro quero comerçar minha coluna, digamos um tanto atrasada, com um pedido de desculpas pros leitores. Passei praticamente duas semanas com uma virose daquelas, e me deixou derrubado. Os duas passaram e não tive tempo de escrever sobre o Rali da Argentina antes que o Rali da Italia começasse.
Mas estou de volta, louco pra contar tudo que aconteceu lá pros lados de Córdoba. Agora, como diz Jack "O Estripador", vamos por parte, e pelo começo.
Resolveram difundir mais o rali. E a primeira super especial, que geralmente era disputada no Estádio de Córdoba, foi transferida pro Estádio do River em Buenos Aires a 700km de distância. Quem começou com tudo foi Mikko Hirvonen, sendo seguido pelo seu companheiro de equipe. E ai depois a dupla da Citroen, e também de forma invertida nas posições, Sordo em terceiro e Loeb em quarto. Curioso que Solberg, em quinto, fez o mesmo tempo do Loeb.
Apesar de não ter dado o público esperado pro evento, a logística pra chegar tudo a ponto de ocorrer a especial no estádio foi ok, mas a volta, ai que o problema começou. Uma tempestade caiu em Buenos Aires, e impossibilitou a decolagem do avião que levaria os pilotos de volta pra Córdoba. Pros carros não teve problema, pois voltariam nos caminhões cegonha. Vários pilotos só conseguiram chegar em Córdoba às 6 da manhã de sexta. Ou seja, não teve estágios na sexta, a não ser uma especial ocorrida agora no Estádio de Cordoba no final da tarde. E com essa segunda especial, Hirvonen continuava a frente, agora seguindo por Sordo, Loeb e Gronholm.
Vou fazer um pouco diferente dessa vez e abrir uma excessão as minhas "considerações finais" e falar um pouco sobre esse ocorrido. Assim como alguns pilotos falaram, também achei uma vergonha tudo isso. O tiro saiu pela culatra, quiseram conquistar um novo público pro rali, e acabou que a especial não lotou. Aliás, várias partes do estádio estavam vazias. E por fim, ocasionou todo esse transtorno dos pilotos que não chegaram a tempo de disputar os estágio da sexta. Antes que venham e falem "mas foi o clima que impediu, não dá pra prever uma tempestade como essa", vou dar minha opinião. Quem faz um evento desses tem que ter um Plano B, C, etc. Não dá pra imaginar eles numa mesa de discursões pro rali, e pensarem em fazer somente uma especial tão longe assim, e não pensarem: "e se algo impedir os pilotos voltarem, ou os carros?" Eu achei um absurdo quando vi tudo isso. Além de todas as implicações na prova em si, já que foi um rali com um dia a menos, todo o planejamento e estratégia deveriam ser mudados, teve a implicações pro público que foi ver os estágios da sexta. Infelizmente estou escrevendo essa matéria com o que acompanhei na internet e pela transmissão da tv, esse ano não deu pra eu ir ver o rali ao vivo, como fiz no ano passado. Mas fico imaginando como deve ter sido dificil pra quem ficou esperando na beira da estrada e não passar carro nenhum. Acordar de madrugada, viajar, esperar e....nada! Totalmente sem fundamento tudo isso, prejudicou todo mundo. Sem querer puxar a brasa pra nossa sardinha, mas se o WRC tivesse sido disputado aqui e acontecesse um negocio desses, nossa, nem imagino tanta falação, e claro com fundamento.
Depois que o rali começou de verdade, foi um dominio quase absoluto do Loeb. Todos os 6 estágios da manhã do sábado foram vencidos por ele. Apesar de ser o primeiro a largar, o que a principio é uma desvantagem num rali de terra, com as condições do clima mais favoráveis, garantiram um bom grip pros pneus. Antes de começar o rali da Argentina, Loeb havia declarado que não começaria com tudo. Iria com mais calma, até sentir como o C4 se comportaria nos "water splash". É, nos "water splash", ele até pode ter tirado o pé, mas no restante das especiais, foi com tudo mesmo e no final do "primeiro" dia de rali já abria uma boa vantagem pro Gronholm. Esse até que tentou, mas não estava dando mesmo. Não sei se digo que é curioso, ou estranho ver Gronholm sem tanta motivação. É claro isso nas entrevistas. Até chegar a dizer que não sabe o que faz pra alcançar Loeb. O ponto positivo é que o Gronholm tem feito um ótimo trabalho pensando no campeonato. Assim como Loeb fez em anos anteriores. Já havia comentado esse amadurecimento na pilotagem do Gronholm. E isso é muito bom. Loeb vem conquistando as vitórias, mas longe de ser moleza. A briga entre os dois está bem acirrada. É tanto, que está concentrada nos dois. A distância de desempenho pros outros pilotos é cada vez maior. Prova o nível imposto pelos dois.
A maré de azar definitivamente não larga o pé de Peter Solberg. Mais uma vez abandonou com problemas no motor. Vinha muito bem no rali. Uma pena. Já tinha comentado que tinha ficado feliz com esse novo Impreza, que parecia que tinha encontrado o trilho certo, mas o fantasma do passado ainda ronda a equipe japonesa. E sei não, a Suzuki vem ai, não tem se apressado pra entrar no WRC, tem preparado bem o carro. E se a Subaru não cuidar direito, perde a concorrência em casa também.
Sordo andou bem até problemas hidráulicos afetarem seu C4. Mas tem um atenuante, pro C4, não pro Sordo. Ele pilotou por vários estágio sem o parachoque dianteiro inteiro. Desse jeito não tem carro que aguente. Até que o câmbio passou pro manual, ai foi o fim de qualquer disputa pelo pódio. No final das contas, finalizou em sexto. Se não fosse um erro na ultima Super Special, poderia ter chegado em quinto. Ainda tem muito o que aprender no rali de cascalho, mas aos poucos tem encontrado um bom ritmo de corrida.
Hirvonen fez mais um vez um rali certinho, só que não foi páreo pros dois, Loeb e Gronholm. O que impressiona é a constância dele. É podio direto.
Não foi só na liderança que teve briga por posição. O pessoal do fundão também proporcionou belas disputas. Atkinson tentou salvar a honra da Subaru até onde deu. Escolha de setup errado pro carro, e problemas de diribilidade não permitiram ao autraliano a conquista de posições mais acima na tabela. Finalizou em sétimo. A sua maior disputa foi com Henning Solberg. Durante o rali, chegou a tirar uma diferença muito grande. Mas no final, o norueguês conseguiu a posição de volta. Terminando em quinto. Stohl parece que gosta de fechar a tabela de pontuação. Não tem figurado além da sexta posição. Dessa vez so levou 1 pontinho, e a 8ª posição.
Só pra finalizar. Mais um feito pra Loeb. Com a vitória esse ano na Argentina, é a terceira consecutiva, se igualando a Tommi Makinen. Foi a trigésima primeira vitória do francês na categoria. E os outros não cuidarem já já Loeb se iguala também a Makinen no nº de campeonatos, e consecutivos. Foi uma vitória e tanto na Argentina.
Esse foi o Rali da Argentina, foram só dois dias, mas muito assunto pra ser tratado.
domingo, 20 de maio de 2007
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