Voltamos à fase européia do WRC. Vão ser dois ralis de terra, famosos por quebrar carros, Itália e Grécia. E depois uma longa espera de dois meses. Um belo tempo para recompor as energias, concertar algo que precise e voltar com tudo para a segunda metade do campeonato. Que alias está bem disputado. Não está tão fácil para o líder, Sebastien Loeb, como pode parecer. Ele lidera, mas apenas por dois pontos. Bem diferente dos anos anteriores. Isso por que Marcus Grönholm tem mantido uma regularidade não vista nos anos anteriores. Com o final do ano passado, ele viu o quão é importante marcar pontos em todas as provas. Ótimo para nós torcedores que temos belas disputas em todas as provas.
Foi assim, com esse cenário que começamos o rali da Itália. E já começou com novidades. Latvala veio com tudo, se aproveitou de uma pista mais limpa, passou por todo mundo e liderou o rali durante a parte da manhã. Foi curioso não ver Grönholm ou Loeb na liderança. Na Noruega, Hirvonen liderou e venceu, mas ver Latvala já chegando a esse nível é uma ótima previsão pro futuro do WRC. Pena que a alegria dele durou pouco. Já na segunda passagem, nos estágios da tarde, ele perdeu a liderança pro Grönholm e durante a especial cinco, bateu em uma pedra e danificou a suspensão dianteira esquerda. Realmente uma pena terminar desse jeito. Até voltou nas regras do Super Rali, mas sem condições de lutar por pontos.
Com isso, a briga pela liderança voltou ao de costume, Grönholm e Loeb. Grönholm até liderou, mas com problemas na suspensão dianteira esquerda, não conseguiu segurar o ataque do Loeb. E no final do dia já colocava uma boa margem de 22s. Solberg mais uma vez não teve sorte com seu Impreza, sofreu uma penalização de 10s por demorar na volta da área de serviço. Menor sorte teve seu companheiro de equipe. Atkinson errou e saiu da prova. Realmente a Subaru precisa tirar essa maré de azar que ronda a equipe. Atkinson mesmo, começou bem o ano, mas depois veio se apagando. E Solberg, luta pra ser competitivo, mas não está dando. Sordo que começou a dar a entender que aprendeu a ser competitivo na terra também. Não é sua superfície favorita, mas já nesse final de primeiro dia era quinto. E pra terminar a tabela, Gardemeister em sétimo e Stohl em oitavo.
O segundo dia foi perfeito para Loeb, uma aula de pilotagem. Conseguiu praticamente dobrar sua liderança. Um fato curioso foi o step do carro de Grönholm ter se soltado e caído no meio da especial. Loeb passou com tudo a poucos centímetros do pneu, mas o viu antes, a ponto de evitar um acidente. Parece uma tática da Ford, soltar coisas do carro pra quem vem atrás, estilo James Bond. Brincadeiras a parte, Grönholm consegui terminar a especial. Mesmo com menor peso que de costume, não foi algo que pudesse melhorar o desempenho. E como estava acima do peso mínimo do carro, nenhuma penalização pro finlandês. Sordo manteve a contância do primeiro dia e figurou em quarto ao final do segundo dia. Fora isso, o resto da tabela se manteve a mesma.
Parecia tudo perfeito para a Citröen e Loeb. Só mais 6 estágios e mais uma vitória no bolso. Mas não é tão fácil assim como falar. O terceiro dia de um rali quase não acontece nada, e ainda mais com a liderança que Loeb tinha, mas aconteceu. Numa seção sinuosa, cheia de pontos cegos, ele erra e bate a lateral esquerda do C4 no barranco. Continua, mas a suspensão dianteira esquerda foi danificada, e logo em seguida numa curva a direita, passa reto bate numa pedra, e ai foi o fim. Não teve volta. Com a suspensão quebrada, o C4 ficou por ali mesmo. Nem Grönholm conseguiria imaginar. Depois foi só carregar seu Focus até o final.
E assim terminou o rali da Itália. Como Loeb estava em primeiro, todo mundo atrás subiu uma posição.
Duas coisas tem me surpreendido em Marcus Gronholm. Uma que ele anda meio cabisbaixo, um tanto desestimulado. Pode até ser que não, mas em suas entrevistas, está deixando transparecer isso. Já falou várias vezes que não sabe o que fazer pra alcançar o Loeb. Eu acho que ele tem talento e carro pra tanto, é tanto que lidera o campeonato, devido principalmente a sua regularidade. Ele é um piloto que as vezes quer andar mais que o carro, visto os acidentes em anos anteriores, muita vezes movido a um carro menos competitivo que seus adversários, outras por pura afobação. Mas esse ano viu a importância de marcar o máximo de pontos possíveis. E vem sempre marcando. A partir de 2003, quem vence só leva 2 pontos a mais de quem chega em segundo, ou seja, vencer uma e não marcar pontos em outras provas, não é tão interessante assim. É uma tabela que privilegia a regularidade. Visto ano passado, Loeb venceu muitas, mas quando não chegava em primeiro, sua pior qualificação era segundo. Conseguiu pontos suficientes pra que mesmo se ausentando 4 provas, tinha gordura suficiente pra queimar e ganhar o campeonato. E Gronholm tem seguido essa mesma linha, abrindo 5 pontos de diferença para Loeb.
A vitória caiu de mão beijada para Marcus Gronholm, mas a sorte só vem pra quem merece também. Teve vários problemas durante a prova, até com suspensão pegando fogo ele sofreu, e mesmo assim, estava lá, em segundo com boa margem para seu companheiro de equipe. Garanto que ele ficaria bem mais feliz vencendo Loeb na pista. Pelo puro prazer da disputa. Diferente de outras categorias, vulgo F1, onde o piloto deseja que o outro não vá bem em detrimento a sua perfomance.
E foi isso, um 10 x 0 para Gronholm. Loeb errou mais esse ano que em três anos de WRC. Errou em Monte Carlo ano passado, mas chegou em segundo.
O erro nesse rali foi em um estágio novo. Mas novo para todos, entao não serve de desculpa. É que nem no futebol, reclamar de campo pesado na chuva. Que eu saiba, quando chove, chove pros dois times.
E todas as explicações conspiram contra. Era terceiro dia, e a vantagem pro segundo, beirava os 40s. Não tinha porque forçar tanto. O próprio Loeb vem falando que não está fácil como parece, vencer Gronholm. Acho que o desempenho estraordinário do C4 se deve 90% a categoria do Loeb. Dou o desconto de 10% pro segundo lugar do Sordo em Monte Carlo. Então so tirando tudo do carro, como Loeb tem feito, é que está garantindo as vitórias. E se não fossem esses dois erros, a liderança também seria sua.
A circunstância desse acidente foi curiosa, pois Loeb sempre foi um piloto que soube administrar bem esse lance de vantagem, acelerar quando devia, e tirar o pé na hora certa. Vamos esperar nos próximos ralis, se esse erro não afete a confiança dele em dirigir. Se ele vai pisar menos, esperando a confiança voltar ou fingir que nada aconteceu e pisar fundo mesmo em busca de mais uma vitória. Só saberemos na Grécia.
Então, um rali que teve emoção até o final. Pra quem acha que o terceiro dia nunca acontece nada de novo, e é mais uma confirmação do que acontece no segundo dia, se enganou. WRC é emoção até o final.
Próximo destino, Grécia. Outro rali famoso por quebrar carros. É so lembrar o estado que o Xsara do Loeb chegou no parque de serviço. Particularmente não gosto desses dois ralis, Itália e Grécia. Ralis meio lentos, média horária baixa, e premia mais a sorte que a competência. Não que quem vença não mereça, mas o fator sorte na vitória é maior. Mas tem um ponto a favor, é muito difícil prever um favorito, ou seja, emoção a toda hora.
É isso pessoal, abraço e até a próxima.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário